17 de maio de 2013

Carta ao meu filho


Filho,

Há um monte de coisas que eu gostaria de dizer para você. Um monte mesmo. Mas você é meu pequenino ainda, e o mundo lá fora é bem complicado. Complicado até para os adultos, sabe. Então eu quis escrever para que eu mesma não esquecesse de te dizer essas coisas um dia. São apenas alguns pensamentos soltos, pensamentos de uma mãe que se preocupa com o filho e com o mundo em que ele viverá...

- O mundo lá fora é legal. Tem muita coisa bacana, muito lugar bonito, muita gente interessante. Mas também tem coisa feia e gente ruim. Do mal mesmo, como os inimigos dos seus super-heróis favoritos. E esses inimigos se disfarçam bem. Às vezes usam máscara, às vezes fazem cara feia, às vezes falam um monte de coisa só para disfarçar. Só o que nós podemos fazer... é aprendermos a reconhecer esses perigos e a nos defendermos deles.

- Seja gentil com as pessoas. Ser gentil é ser bem educado, pedir licença, agradecer. É esperar sua vez para falar ou para fazer qualquer coisa. É respeitar.

- Respeitar. Respeite os mais velhos, que às vezes não conseguem correr tão depressa como você. Respeite os menores que você, que ainda vão aprender tudo que você já sabe. Respeite aqueles que tiverem algum dodói e só conseguirem brincar de forma diferente da sua.

- Diferenças. Nem todo mundo é igual. Nem todo mundo pensa igual. Há pessoas de todo tipo. Com a pele mais clara, mais escura, que se vestem de um jeito ou de outro, que gostam de maçã mas não gostam de banana. Mas ninguém é melhor ou pior por isso. Só diferente.

- Você já sabe que há meninos e meninas. Sabe que meninos fazem xixi em pé e as meninas fazem sentadas. Há muitas outras diferenças entre meninos e meninas filho, mas há muitas semelhanças também. Tanto meninos como meninas brincam, correm, comem, dormem. Algumas pessoas acham que há coisas só de meninos e coisas só de meninas. Mas, na maioria das vezes, essa história é só conversa. Quer um exemplo? Há meninos cozinheiros e meninas motoristas. Por isso, meninos podem sim brincar de casinha e meninas podem brincar de carrinho.

- Você vai aprender que, infelizmente, nem sempre a gente ganha. Às vezes perdemos em um jogo. Às vezes perdemos um objeto de que gostamos. Às vezes perdemos pessoas. Mas você também vai aprender a diferença entre perder e desistir. Não desista do que for importante para você. Não desista do que ou de quem você amar.

- Cuide dos seus dentes. Dente machucado, sujo ou com bichinhos faz um dodói chato pra caramba. Um dodói que dói mesmo. Já dentes branquinhos deixam seu sorriso ainda mais lindo.

- Respeite os animais. Eles sentem dor, fome, ficam tristes e doentes. Só não sabem falar como a gente, mas sentem. Eles podem ser nossos amigos, podem cuidar da gente, da nossa casa, nos fazer companhia, nos dar alegria. São seres vivos e moram aqui, nesse planeta, como nós.

- Não tenha vergonha de dizer que gosta de alguém. Às vezes a pessoa sente a mesma coisa. Às vezes não. Mas com certeza todos gostam de ouvir que são queridos.

- Não minta. Não estou falando das tais "mentirinhas inocentes", que um dia você vai entender o que são. Estou falando de mentiras grandes. Mentiras que enganam as pessoas que você gosta e as que gostam de você. Quando a verdade aparece (e ela sempre aparece), a pessoa para quem você mentir ficará muito triste. Talvez nem consiga mais confiar em você. E você também ficará triste.

- Todo mundo erra. O tempo todo. Não pense que, por ser adulto, você não cometerá mais erros. Tenha a humildade de entender que sempre há algo a aprender.

- Quando você decepcionar alguém - e infelizmente isso vai acontecer -, tente se colocar no lugar dessa pessoa. Tente imaginar o que ela/ele sentiu. Isso ajudará você a talvez agir de outra forma. Ou, ao menos, poderá te ajudar a entender os sentimentos dos outros.

- Quando alguém decepcionar você - e infelizmente isso também vai acontecer -, vai doer, eu sei. Você vai ficar triste, vai chorar. Mas isso vai te fazer crescer também. Vai te ajudar a entender que nem sempre as pessoas agem como esperamos.

- Não tenha vergonha de chorar quando for adulto. Alguns adultos acham que não precisam chorar ou que, se forem vistos chorando, vão ser considerados fracos. Fraqueza é esconder o que sente. Se tiver vontade, chore. Se estiver muito triste, com medo, ou até mesmo se estiver muito feliz. Chorar alivia. Ajuda a colocar as sensações para fora.

- Por favor, não suma. Quando você for crescer e estiver descobrindo o mundo... quando se encantar por alguém, quando quiser apenas se divertir, quando quiser curtir a vida com seus amigos, quando quiser um tempo sozinho para pensar. Independentemente do motivo: não suma. Não me deixe sem notícias, olhando para o telefone madrugada adentro ou esperando a porta se abrir. Dê ao menos um telefonema para acalmar meu coração.

- Por fim, não se esqueça dos seus pais. Eu sei que, quando você crescer, o mundo terá muitas coisas para te mostrar. Mas lembre-se que vou adorar ouvir você contando o que conheceu, as pessoas, os lugares, as comidas, as lambadas que levou da vida. Vou adorar ouvir sua voz do outro lado do telefone. Vou adorar abrir a porta e ver você sorrindo. Ou chorando, se assim estiver. O importante é que você saiba que estarei pronta, sempre, a qualquer hora, para te ouvir, para te ajudar, para rir com você, para te abraçar. E, se você quiser, seguro sua mão até você dormir... como você sempre gostou de fazer quando criança.


 "Eu amo você por tudo o que você é, por tudo o que você foi e por tudo que ainda será"

7 de maio de 2013

Livros infantis velhos-novos

Faz tempo que não escrevo sobre livros infantis. A bibliotequinha do Bento vem aumentando, com livrinhos de todos os tipos. Às vezes ele ganha de presente, mas geralmente sou eu quem compra.

Um dia desses minha irmã nos presenteou com vários livrinhos que eram do meu sobrinho, hoje já adolescente. Eu adoro heranças de primos, os presentes sempre vêm com histórias embutidas. Quando Bento nasceu, herdou de outro primo berço, cômoda, cadeirão e várias roupinhas!

Mas, voltando aos livros, se antes o interesse maior era por aqueles com abas e sons, agora Bento presta mais atenção às imagens e ao enredo. Lemos dois ou três livros antes de dormir, todos com várias páginas e bastante texto.

Destaco aqui três livrinhos entre os recentemente herdados e dos quais gostamos bastante - tanto eu como ele. Todos já são edições antigas, mas estão muito bem conservados e, para nós, são novinhos!

Bichonário
Nílson José Machado
Editora Braga

Este é uma graça. Cada página aborda uma letra do alfabeto, ligando a letra a um animal e ainda traz um poeminha simples e curto para cada um. A que ganhamos é a 2ª edição, esta da imagem, mas se não me engano a atual das livrarias já é a 5ª. Achei ótimo por ele estar exatamente na fase de aprender e se interessar pelas letras. E as ilustrações são incríveis!

formiga

 girafa

No pacote também vieram vários da Ruth Rocha, um mais legal do que o outro. O primeiro destaque vai para Eugênio, o Gênio:

Eugênio, o Gênio
Ruth Rocha
Editora Ática

Eugênio é o burrinho mais inteligente do mundo. Ele só tem um defeito: é muito teimoso. Quando emburra não tem jeito, só desempaca com muito custo. Até que vai participar de um concurso. Ótimo tema para menininhos teimosos que vemos por aí...

And, last but not least...

Romeu e Julieta
Ruth Rocha
Editora Ática

Julieta é uma borboleta amarela. Romeu é uma borboleta azul. Elas vivem cada uma em seu canteiro, com flores somente amarelas e somente azuis. Aprendem desde sempre que não podem ir aos outros canteiros nem se misturar às outras borboletas e flores. Então o amigo Ventinho convida os dois para um passeio...

aqui uma página explicando que "o que era branco morava com o que era branco"


A história é uma graça, abordando preconceito e miscigenação. Já adianto que, no final, todas as cores se misturam e os canteiros e borboletas ficam multicores! Ah e, de novo, as ilustrações são lindas!

(cliquem nas imagens para ampliar)

Fora esses, ainda recebemos livros que abordam temas como alimentação saudável, natureza, trânsito, aprendendo as horas... Conforme Bento for se interessando por um ou outro, venho contar aqui. Mas de fato adoramos os presentes, que enriqueceram ainda mais a nossa mini-biblioteca infantil.

E aí, gostaram das dicas?

3 de maio de 2013

Projeto Leitura - Segredo, Fio e Abelha

Em mais um post do meu Projeto Leitura 2013, conto aqui sobre 3 livros recentes que li e aprovei. Tenho procurado variar os temas dos livros, até porque gosto de várias linhas. Desde o último post do projeto li 5 livros, mas separei aqui os de que gostei mais.


Pequeno Segredo
Heloisa Schurmann

Li uma entrevista da autora deste livro outro dia e fiquei bem interessada. Todo mundo conhece a família Schurmann, que saiu pelo mundo a bordo de um veleiro. Pois este livro conta a verdadeira história de Kat, a caçula. Kat chega à família Schurmann em um momento inesperado. Sua mãe biológica faleceu e o pai, amigo dos Schurmann, lhes faz um pedido surpreendente: que a adotem revelando que a pequena é portadora do vírus da AIDS. Heloisa luta pela vida da menina, sem nunca perder a esperança. E mais: contrariando o óbvio, a família leva Kat para conhecer o mundo da mesma forma que fez com os outros filhos, proporcionando a ela uma vida de aventuras. Um livro de leitura muito fluente e fácil, daqueles que lemos em poucos dias porque simplesmente não querermos largá-lo.

Em 'Pequeno segredo', a autora conta uma história sobre os presentes dados pelo acaso. Sobre como um filho, biológico ou não, pode modificar por completo uma vida. E, acima de tudo, sobre até onde uma pessoa pode ir quando é tocada pela força do amor incondicional.

Por um Fio
Drauzio Varella

Este livro chegou a mim emprestado de uma amiga, a Clau. O médico Drauzio reflete sobre a morte a partir da perspectiva de pacientes terminais e suas famílias. Aqui não há uma única história, mas trechos de várias, sempre com o enfoque em como as pessoas reagem ao se verem próximas da morte. Como algumas se abatem pela tristeza e pela realidade iminente, enquanto outras não entregam os pontos e lutam até o fim. Da surpresa à revolta, do desespero à aceitação.

Também é uma leitura fácil, mesmo abordando um tema pesado e triste. A forma de Drauzio escrever facilita bastante a compreensão de termos médicos.


Pequena Abelha
Chris Cleave

Este também emprestei de uma amiga, a Michelle. Na contracapa do livro, o autor pede que não se revele do que a história trata ao se falar dela a alguém. E realmente, a surpresa é uma questão chave para a narrativa. O que se pode dizer é que essa é a história de duas mulheres cujas vidas se encontram em um dia fatídico para ambas. Uma delas precisa tomar uma decisão terrível. Dois anos mais tarde elas se reencontram. E tudo começa…

Este é simplesmente um dos melhores livros que li. É, ao mesmo tempo, doce, surpreendente, inesperado, cruel e real. Sem dúvida, entrou para minha lista top dos top. Recomendadíssimo!

 
No próximo post sobre meu Projeto Leitura, um livro que está entre os mais vendidos de várias listas e outro que recebi do meu Círculo de leitura com amigas. Isso se eu não resolver (e conseguir) ler outra coisa além desses!

26 de abril de 2013

4 anos


Meu pequenino,

Hoje é seu aniversário. Hoje faz 4 anos que você escolheu este para ser o seu dia.

Como o tempo passou depressa! Sempre me disseram isso, mas eu custei a acreditar. Mas passa, passa mesmo. O tempo levou com ele seus choros de bebezinho, sua boca ainda banguela, seus pés que nem andar sabiam. Levou seus balbucios e as palavrinhas erradas. Levou seu tamaninho pequetico, que te deixava caber por inteiro no meu colo.

O tempo leva muita coisa, mas também traz. E, nesses 4 anos, ele me trouxe um menininho que anda, corre, pula e vira cambalhota. Que sabe fingir um chorinho, mas que não perdeu a gargalhada gostosa. Que quase não diz mais palavras erradas, e aprende várias novas, cada vez mais difíceis. Que sabe reconhecer quase todas as letras. Que já sabe escrever o próprio nome. Que ainda pede colo de vez em quando, mesmo com todo seu tamanho. Que não perdeu o jeito carinhoso de guardar os beijos que te dou, e que também me dá beijos e abraços deliciosos.

O tempo me trouxe você. Meu filhote, todo grande em seus 4 anos. Mas que nunca deixará de ser meu pequenino. O meu menino.

Parabéns, meu amor. Curta muito sua festa, seus amigos, seus presentes. Curta cada abraço de vó, cada aperto de tia, cada beijo meu e do pai.

Brinque muito, filho. Sorria, gargalhe, ria até faltar o ar.

E cresça filho, cresça feliz. Mesmo que o tempo leve com ele mais e mais coisas. Porque eu sei que ele também trará muitas outras pra você. Muitos aprendizados, muitas alegrias, muito carinho e até coisas chatas, eu sei. A vida é assim mesmo, filho. Mas saiba que sempre estarei com você, por você, para você.

Te amo, sempre, muito, até o céu. Ida e volta.

Mamãe

17 de abril de 2013

Como cansa ser mãe

Estou cansada. Bem cansada, diga-se.

Antes de começar, aviso que este post não é uma reclamação. É uma constatação do tipo desabafo, conhecem?

Pois bem. Estou cansada.


Vira e mexe me sinto assim no final do dia. Um dia comum, em que trabalhei, levei e busquei filhote da escola, acompanhei lição, brincamos um pouco. Passei uma vassourinha básica na casa e coloquei as roupas pra lavar. Nada diferente.

Pois o cansaço ao que me refiro é o relativo à faceta mãe. O falar todos os dias, várias vezes por dia, as mesmas coisas. O "mãe, mãe, mãe" a todo segundo. A rotina repetitiva e exaustiva. O menininho grudado em mim, que me chama para brincar com ele, para ficar ao lado enquanto ele vê um desenho e que me quer ao lado dele até dormir.

Eu sei, eu sei, há mães por aí mais cansadas do que eu. Mães de dois ou mais, mães com filhotes doentes, mães de RNs... Uma vez eu até fiz uma classificação para os níveis de cansaço maternos! Eu mesma já estive beeem mais cansada no primeiro ano de Bento do que hoje, com aquele dormir picado de então, acrescido pelo chororô do refluxo. Mas isso não faz do cansaço atual menos incômodo.

A maternidade é linda? É. Ela proporciona aprendizados únicos e incríveis? Sim. É uma realização? Sem dúvida.

Mas cansa. E como.

Há dias em que tudo dá certo e corre às mil maravilhas: Bento come direitinho, dorme cedo, brinca de qualquer coisa, obedece de primeira. Em outros... sai tudo pelo avesso: enrola pra comer (mas come, ufa), nos chama o tempo todo para brincar (e o tempo todo é literalmente o tempo todo), não obedece e teima ad infinitum por coisas simples.

É fato constatado que, se eu estou sem paciência, mais apressada e estressada, Bento-esponjinha ficará assim também. Tudo ficará mais difícil e demorado. Por outro lado, se consigo contar até 10, falar calma e placidamente trocentas vezes e me manter na rotação zen, tudo será resolvido tranquilamente. Mas, porém, contudo, todavia... não consigo ser zen o tempo todo.

E ainda há um outro detalhe: eu trabalho em home office. Isso me proporciona estar sempre presente e poder acompanhar o crescimento e desenvolvimento do meu filho. Posso me organizar para trabalhar e brincar com ele pela manhã, antes da escola. Posso levar a consultas médicas e ficar com ele em casa quando fica doente. Posso almoçar e jantar com ele todos os dias. Posso tudo isso.

Maaaas... Estar sempre por perto é uma faca de dois gumes. Acaba que ele me quer o tempo todo! Me chama para brincar, para ver ele brincar, para ficar ao lado dele até se está somente assistindo um desenho. Ouço "mãe, mãe, mãe" realmente o tempo todo. Tento trabalhar só quando ele está na escola ou à noite, mas nem sempre é possível. Aí, se preciso trabalhar quando ele está em casa, me desconcentro.

Tudo isso está tornando minha rotina cansativa também. Antes, ao trabalhar fora, eu tinha aquele tempo "meu", por incrível que isso possa parecer. Era um tempo "de adulto", de pensar e agir no mundo adulto. Fora que sempre dava para espiar sites, ler textos ou até escrever. Já em casa, raramente consigo fazer isso. Nas brechas de tempo preciso fazer algo da casa, ou do trabalho mesmo, ou simplesmente não quero fazer é nada.

Eu adoro meu regime atual de trabalho pela liberdade que me proporciona para organizar meu tempo. Mas é instável e desestruturado. Ao mesmo tempo, não sei se conseguiria me adaptar novamente ao regime rígido de entrar às 8h sair às 17h (com suas variações). Um meio termo seria possível?

E essa questão do trabalho é apenas um ponto. O "cansaço de mãe" é o conjunto de fatores. O não poder relaxar de verdade, não fazer mais coisas de adulto, ter que dar bronca "o tempo todo". Queria, sei lá, um ou dois diazinhos de mini-férias. Poder acordar sem precisar olhar para o relógio e ir dormir sem me preocupar se o pequeno jantou direitinho e escovou os dentes. Poder ir ao banheiro de porta fechada. Poder comer algo diferente e com calma. Poder ver um filme sem dormir no meio.

O que sei é que, no fim, a gente nunca está satisfeita. Mas sempre está cansada.
 
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